Brasil x Grã-Bretanha


Sábado foi o casamento de T&A, um casal de amigos de Mr. W – vulgo Mr.J   ;)) . Aliás, posso falar que ela é muito fofa porque ela é sempre simpática comigo. No casamento de N&F depois de uns vinhos a mais, ela falou pro Mr. W enquanto eu não tava perto que se ele  me largasse um dia, ela me adotaria. :> O marido dela nunca se enturmou muito comigo eu acho que nem lembro da voz dele, mas ele é simpático também e pelo menos nunca me olhou torto ou de forma julgadora, o que no meu mundo sigifica que é gente de paz e é permitido ser meu amigo, até que e se provar o contrário.

Foi a T que me chamou pra despedida de solteira dela, a hen night. Aqui não existe essa de chá de cozinha só com as amigas onde tem brincadeira e castigos. Aqui a mulherada sai pra farra mesmo, do mesmo jeito que os homens. É uma última noite de solteira, onde elas – normalmente –  bebem, vestem algo engraçado (as outras meninas podem vestir algo engraçado também ou não é opcional). No caso dela, as bridesmaids arrumaram essa fantasia de banana!

A noite  da hen night começou às 5 da tarde em um pub no Centro de Londres. Foi lá que mandaram ela colocar a fantasia (que aliás ela a-mou!) distribuíram as bugigangas (tinha apito em formato de pênis, canudinho em formato de pênis e bicos de galinha de plástico pra gente vestir como máscara* Porque hen é galinha em inglês). Quando todo mundo tava lá, chegou o macacão :) Um stripper vestido de gorila. Ele era um negro super em forma e simpático, fez o strip, fez brincadeira com ela, e todo mundo caindo na risada é claro.  De lá fomos – de limousine, minha primeira vez em uma aliás, e adorei ir de turma assim, continuar a festa mesmo mudando de lugar – pra outros pubs, as meninas bebendo, conversando com estranhos (aliás inglês – normalmente  – só fala com estranhos quando tá bêbado ou tá no pânico mesmo), rindo, se divertindo muito.  Depois do último pub, fomos pra um club dançar. Tirei a barriga da miséria, fazia muito tempo que queria sair dançar e dancei muito! Teve até o momento que quase nos expulsaram porque a T queria participar do concurso de dança no palco e eles não queriam deixar :-< Mas conseguimos convencê-los a deixar a gente ficar lá e ela só teve que tirar a fantasia.

Na volta pra casa a limo me deixou em casa, e eu tinha conhecido mais uma turminha de meninas bacanas. Sempre um saldo positivo!

Isso tudo foi no mês passado, Sábado foi o dia do casamento. Como eu falei no post anterior, só fomos convidados pra festa desse casamento. Chegamos atrasados, de novo. Assumimos que o almoço seria tarde como sempre  e como não tinha o horário que a noiva ia chegar da cerimônia no convite, decidimos sair do hotel mais tarde, mas tomar um café da manhã reforçado.

Ledo engano, chegamos lá quando eles já estavam sentando pra comer, à 1:30 da tarde! Perdemos a chegada na noiva na entrada do local (que foi o “quintal” da casa dos pais dela) mas conseguimos sentar com a turminha. O estilo foi picnic, mas tinha uma tenda de circo, e mesas e cadeiras de madeira. Sentamos apertadinhos uns do lado do outro.

Serviram frios, pães, frutas, e na mesa novamente vinho e água. Não comi muito porque ainda estava cheia do café da manhã, mas belisquei uma torta de porco deliciosa e uns quiejinhos e uvas. E chegou a hora dos dicursos. O pai da noiva foi fofo, contou a história de como ela sempre foi criativa (ela trabalha como figurinista pra TV e filmes) e lembrou das pessoas que não podiam estar ali, e as pessoas que vieram de longe.

Pausa pro bolo!

E volta pros discursos! Nesse teve discurso das bridesmaids (foram só duas, e elas não se vestiram iguais) que foi engraçado. As duas amigas lembraram de momentos do passado da noiva, incluindo a hen night. E contaram o fato que ela mostrou a bunda pela janela da limo, o que aparentemente é normal pra ela :)) ! Teria bem mais histórias pra contar, mas melhor deixar pra lá pra preservar a garota, no que ainda dá, hehe.

O discurso do noivo foi fofo, ele contou como a conheceu, mas com detalhes do que ele sentia e como foi difícil quando ele teve que ir morar na Austrália, e listou as qualidades dela e como ele queria ficar com ela pra sempre.
Daí o best man (nesse não teve usher) fez o discurso dele, foi engraçadinho mas teve muita piada redicularizando casamento, o que eu não gosto [-( Sempre acho que acaba colocando no subconsciente dos homens que casamento é uma coisa ruim, e trazendo mais problemas depois no futuro, se o marido fôr meio cabeça-fraca.

Aliás, esqueci de contar no último post, a cada fim de discurso tem sempre o brinde de champagne, e o golinho pra trazer sorte :-j
Depois dos discursos todo mundo se levantou e foi pro quintal, e tinha uma carrocinha servindo sorvetes caseiros. Comi um de rum com passas, meu favorito e super difícil de achar na Inglaterra =P~

Conversamos um pouco, dancei um pouco (eles só tiveram DJ, e as músicas estavam meio devagar), dancei mais um pouco e os noivos foram dançar a primeira dança. Dançaram Crazy do Gnarls Barkley – achei super bacana!
Daí a noite foi de ficar dançando um pouco, conversando um pouco, trocando grupinhos de amigos, conversei com as meninas que conheci na hen night todas super fofas comigo. Às 7:30 da noite mais ou menos chegou a carroça do Fish And Chips! De novo algo descontraído pra noite. O bar foi de graça, tinha vinho, refrigerante, alco pops (bebidas de garrafinhas tipo Sminorff Ice).

À noitinha nos reúnimos ao redor da fogueira, tentando ver a chuva de estrela cadente que ainda estava acontecendo. Mas eu não vi nenhuma (tudo bem porque vi 4 na quarta-feira!) conversamos com o povo, que foi pro hotel de ônibus que os noivos pagaram, mas Mr. W decidiu voltar pra Londres e descansar.

 

 

*Clique em qualquer foto para vê-la maior*

Powind Kale bed

O caminho pro casamento já era demais. Tinha as wind farms que eu acho lindas!

Starter or desert Someone murdered the cheese!

Nesse casamento não teve muitas flores na mesa só o potinho de vidro, mas achei gracioso mesmo assim, ainda mais porque combinava com os noivos que são simples e sem frescura. E alguém matou o queijo!
Edible panda in a box Snow top
Cada mesa tinha seu próprio bolo, com imagens dos fantoches que a T fez quando era criança ainda! O bolo era de frutas com cobertura de marzipan e açucar-glacê.
Light bubbles Candle paper love
Pra noite tinha luzes no teto do Circo e velas em saco de papel no quintal…

Mille hot hot hot Blue flame B&W hot stuff

Minha fascinação por fogo é a mesma que por luzes. Por isso é sempre uma dúvida qual foto escolher

Tínhamos outro casamento pra ir na semana que vem, mas já temos compromisso, segredo por enquanto :-P

Eu particularmente adoro casamentos, e toda vez que perco algum a que sou convidada, me corta o coração, independente do motivo. Emendando com o post anterior, é uma das coisas que eu fico chateada de morar fora do Brasil :((  (no caso da Qris, foi pior ainda, o casamento foi aqui e eu tive que perder porque passei mal depois do vôo longo voltando do Brasil esse ano X( ).

Mas depois de conhecer Mr. J, meu círculos de amigos só aumentou e estou tendo a chance de ir a casamentos novamente :)

A temporada de casamentos aqui no Reino Unido normalmente é no verão. Eu pressuponho que seja devido ao clima, que proporciona casamentos ao ar livre, e com certeza todo mundo fica mais feliz de sair de casa e viajar com um tempo gostosinho e amedo do que sair no frio bate-queixo dos outros meses. O ano passado fomos a um casamento em Agosto e esse ano tivemos 4 convites (tirando o da Qris :-w ) Então nas últimas três semanas tivemos dois casamentos pra ir, ambos no mesmo final de semana – um no Sábado e o outro no Domingo.

Aqui também não é comum  chamar os convidados para a cerimônia e para a festa. É super bem aceito que eles chamem só pra festa (às vezes o cartório  – ou igreja – é pequeno e não cabem todos os convidados, e a festa é normalmente no mesmo dia da cerimônia). Pra esses dois casamentos, nós fomos convidados pros dois eventos.

Casamento N&F: Chegamos na Igreja pro casamento do amigo mais antigo do Mr. J atrasadíssimos. A viagem demorou o dobro do que planejamos e perdemos a entrada da noiva, mas pegamos a leitura dos votos e a assinatura do livro de registros. De lá os noivos saíram dar uma voltinha no carro antigo e tirar fotos e nós fomos pro local da festa, que era um clube de tênis. Muito fofinho, enquanto a gente esperava, tinha canapés deliciosos, champanhe à vontade (e refri de Edelweiss) e o mapeamento das mesas já estava disponível. Nem sentimos o tempo passar e chegou a hora do “almoço” (que normalmente em casamentos aqui é servido entre 4-6 da tarde). Na mesa tinha pururuca de porco, que estava divina! Depois serviram salada de folhas, batatas, uma salada de ervilhas cremosa e leitão (como não tinha vegetariano na nossa mesa não sei o que serviram pra eles), tudo muito gostoso. Na mesa, vinho e água.

Quando terminamos de comer vieram os discursos. Primeiro o pai da noiva (que caiu no choro e me fez chorar também), depois o noivo (que agradece todo mundo que ajudou o casamento ser realizado, incluindo as brides maids*, e fez uma declaração de amor linda pra esposinha nova – até com uma serenata de ukalelê pra ela 8-> ) e depois o best man* que conta histórias engraçadas sobre os noivos. (esse best man até distribuiu fotos deles pequenininhos nas mesas). Não teve sobremesa, mas serviram cupcakes com chá e charutos no jardim, enquanto moviam as mesas pra formar o local de dança e o “bar” (que na verdade eram duas mesas juntas e os amigos revezavam servindo as bebidas). Daí venho uma tradição que acho fofa, a primeira dança dos noivos como marido e mulher. Eles dançaram ao som de Take That – Could it be magic. Eles tinham um grupo de três pessoas tocando musiquinha ambiente e me decepcionei um pouco que não foi mais agitado e todo mundo ficou meio envergonhado de ir dançar, mas arrastei o Mr J. pra uma das músicas mesmo assim. Depois disso, foi só aproveitar o bar que (que raramente é) de graça. Tinha cerveja, vinho tinto e branco, refri normal e diet. E tinha uma mesa de doces de criança esperando pela gente no fim da festa! Às dez da noite chamaram duas dúzias de pizza e quem quisesse se servia, achei o máximo!!!  Foi uma delícia, os amigos de Mr. J todos fofos comigo, muito gostoso fazer parte desse amor todo sendo distribuído até as 2 da manhã.

* Aqui não tem padrinhos. Só testemunhas (duas) e o ‘bridal party’ que é formado pelas seguintes pessoas: o best man normalmente é o melhor amigo do noivo e do casal, ele organiza a despedida de solteiro (stag night), cuida da aliança enquanto o noivo não tem que colocar na mão da noiva, ajuda o noivo se arrumar e faz tarefas que eles precisem, a maid of honour é a normalmente a melhor amiga ou irmã da noiva, ela organiza a despedida de solteira (hen night – que é que nem a dos homens, elas saem beber, dançar, e fazer bagunça), a escolher vestido, e ajuda com tudo que precisarem. Os ushers e as brides maids são opcionais, e são os outros amigos que podem ajudar com o que precisar também. Normalmente todo mundo se veste igual, e são facilmente identificados durante o casamento. Eu gosto da tradição, mas acho que separar melhores amigos de amigos não tão melhores assim é meio complicado e sempre fica aquele gostinho amargo em quem não foi convidado pra ser parte da Bridal Party, normalmente padrinhos de casamento no Brasil é mais claro o porque de serem convidados – mas talvez seja só eu que me sinta assim, hehe.

Centrepiece? Hmm cracklings

As flores foram fornecidas pela mãe do noivo :)

SAM_1388 Happy Guests

O mapeamento de mesas e os name places são toques charmosos que eu adoro, e evitam as tias e os primos adolescentes se atropelando pra sentarem juntos :) *tirei o nosso nome do name place porque vocês sabem que sou meio paranoiquinha.

Pretty and sweet and with tea Love is sweet

Como os noivos mesmo falaram, Love is Sweet

Seeds of love

Ah sim! Aqui não é tão normal dar lembrancinhas de casamento, mas eles deixaram sementes de flores nas mesas pra gente levar pra casa.

Casamento L&D: Já pra esse casamento chegamos super cedo. Foi o casamento do baterista da banda do Mr. J e o vocalista é ainda mais bitolado com tempo do que eu. Chegamos quase uma e meia antes e ficamos esperando no bar. O Hotel era lindo, mas o bar caro :-D Esperamos até a hora de entrar pra sala que tinha sido reservada pra cerimônia. Lindo também. Como esperamos para sermos os últimos a entrar, acabamos de pé no fundinho da sala, mas o pessoal do hotel rapidamente providenciou cadeiras pra gente sentar. Depois de dois minutos sentados, percebemos alguém mexendo a maçaneta da porta que tinha do nosso lado. Não demoraram dois segundos e vieram avisar que a noiva ia entrar por ali! Então só dava a gente trocando de cadeira e a noiva esperando pra entrar :">  A cerimônia foi só civil mas a mensagem que leram foi super bacana e emocionante. O noivo chorou. A noiva um pouquinho.

Nesse casamento não teve canapés, mas serviram champanhe depois da cerimônia (uma taça cada um) e chamaram a gente pra ir tirar as fotos – fizeram grupo por grupo. Diferente do primeiro casamento (que pediu a dois amigos pra serem os fotógrafos oficiais da festa) esse casal contratou duas fotógrafas profissionais que me irritaram muito. Elas só fizeram fotos posadas, e nos momentos mais doces do dia estavam encostadas em algum canto olhando pro nada >:P

Por sorte o pai do Mr. J fez um café da manhã magavilhoso e agüentamos até a hora do almoço. Nesse casamento, os noivos fizeram a linha de comprimentos, pais da noiva, pais do noivo, noivo e noiva e tinha que dar aperto de mão – e beijinho no rosto – de todos eles antes de entrar no salão onde o almoço estava sendo servido. Uma situação meio esquisita porque aqui eu nunca sei se as pessoas querem beijinho ou não :-S Também tinha fila pra ver o mapeamento de mesas, porque eles não liberaram pra gente ver antes, mas como fomos os últimos de qualquer maneira, foi só ver qual era a única mesa vazia!

Na mesa tinha pãozinho fresquinho e manteiga esperando pela gente. Entrada foi Sopa de Tomate com iogurte e torrada. Fizeram um Sunday Roast que tava gostosinho. Sobremesa foi mousse de chocolate amargo com compota de laranja e morangos, delicioso! Na mesa tinha cestinhas de chocolate e chiclete e serviram chá e café.

Nesse casamento também fizeram os discursos depois do almoço (às vezes é antes ou durante). Os discursos foram diferentes mas não me fizeram chorar não, até Mr. J ficou meio confuso.

De novo fomos expulsos (no bom sentido) da sala pra rearranjaram as mesas. Na hora que abriram a sala de novo, tinha holofotes e uma banda de mais ou menos dez pessoas. Era uma banda de músicas anos 50 (que eu adoro) mas os noivos dançaram a primeira dança com música de CD (não lembro qual era a música…). A banda era muito boa, arrastei Mr. J pra dançar uma comigo, mas de novo, todo mundo meio encolhido. O pessoal começou a dançar mas a turminha tava esperando os hamburguers saírem. Sim, serviram um buffet de hamburgeres e lingüiça e uma seleção de saladas, salpicão de repolho (coleslaw) batatas – achei o máximo de novo – e finalmente o  bolo.

Como era Domingo, tivemos que ir embora cedo (10:30 da noite). Foi um dia gostosinho, e foi legal fazer algo com o pessoal da banda do James, é sempre uma farra.

Scribbly ceiling Happy guests

Não falei que a sala da cerimônia era linda?

Pretty in Pink Hearts under the cup

Mr. J achou um jeito de incrementar os enfeites da mesa

Same lights, different results Candle, water and flowers together

Porque luz é uma das minhas fascinações.

Sábado agora tem outro casamento, mas esse é só pra festa. Vai ser pic-nic na casa dos pais da noiva, achei super diferente, tô ansiosíssima pra ver como vai ser! Claro, coloco o relatinho aqui depois ;)

É assim que depois do dia 23 de Agosto eu vou passar a colocar minha cidadania nos formulários que me perguntarem qual é a minha cidadania.

A novela da imigração foi longa, dolorosa e difícil, mas como tudo nessa vida, acabou bem e agora olhando pra trás consigo ver que tudo foi a seu tempo.

Explicando a minha história pra quem caiu de pára-quedas ou não é amigo próximo, a novela começou quando eu cheguei aqui há 8 anos atrás. Os planos eram de fazer uma pós-graduação e ir ficando até ficar ruim, quando ou voltaria pro Brasil ou iria pra outro lugar. Fiz a pós em dois anos, e me encontrei em um lugar que me sentia em casa.

Já expliquei antes os “porques” de me sentir em casa aqui, mas como foi em inglês, explico de novo. Em português e de um jeito diferente :)

Tem gente que mora aqui e odeia o clima frio, cinzento, úmido e escuro. Aqui eu me sinto em casa porque eu adoro tempinho ameno, o frio não me incomoda, e o calor me irrita (literamente, irrita a pele, o cabelo cai, ataca bronquite e sinusite).
Tem gente que mora aqui e odeia estar longe de uma praia decente. Aqui eu me sinto em casa porque eu não cresci perto de mar e na verdade sempre preferi a selva de pedra, a estrada e o interior.
Tem gente que mora aqui e sente falta da tribo de amigos sempre disponíveis a qualquer hora do dia, de qualquer dia, pra fazer qualquer coisa. Aqui eu me sinto em casa, porque no fundo no fundo eu sou um ser anti-social: sou caseira, sou reservada, sou tímida e discreta. Aqui eu me sinto em casa porque o jeito de pensar, agir, trabalhar, festejar aqui tem tudo a ver comigo.
Tem gente que mora aqui e odeia a saudade da comida caseira, dos sabores deliciosos e frescos de outros lugares. Aqui eu me sinto em casa porque gosto de tudo e qualquer coisa que colocarem no meu prato de comida e aprendi que aqui dá sim pra ter comidinha deliciosa tanto quanto em qualquer lugar do mundo.

Tem gente que mora aqui e odeia os dentistas e os médicos. Mas eu visito meus maravilhosos dentista e médico brasileiros toda vez que vou fazer visitinha, e pra falar a verdade os médicos aqui até que não são tãaao ruins quanto algumas pessoas pintam. E lembrem, médico e hospital aqui é de graça. Pra todos. Então na hora de comprar tem que se comparar auxílio gratuito de lá com o de cá…

E então, depois dos dois anos, e me sentindo em casa, fui resolvendo ficar. A lei falava que eu teria que ficar mais três para adquirir a cidadania, e dois anos se passaram tão rápido, a saudade estava sendo administrada com viagens ao Brasil uma vez por ano (às vezes duas!), conversas na webcam, passeios pelos 4 cantos da Europa, dia-a-dia toma conta, a gente vai se acostumando…

Quando faltavam 2 meses para completar os 5 anos e pedir minha residência permanente, minha vida virou de ponta-cabeça, e a vontade de largar tudo e todos para trás, voltar para a barra da saia da mãe foi grande. Mas com a ajuda de amigos maravilhosos, e da minha mãe também, que sempre largava tudo que tava fazendo pra falar comigo assim que eu gritasse, me forcei a agüentar a barra, a lei dizia que a residência permanente deveria sair em menos de 6 meses para todos que a pedissem, então fiquei e esperei.
Depois dos primeiros 3 meses (sempre os mais difíceis em qualquer mudança) conheci Mr. J, que passou a ser minha companhia nas noites de inverno longas, geladas e insônes. Naquele final de ano ainda tentei desvirar a vida, e não fui pro Brasil. Mas aprendi que uma vez o caldo entornado, não tem mais volta mesmo. E aprendi que virar a vida de ponta-cabeça às vezes significa colocar tudo no lugar ;) Mr. J e eu percebemos que não dava mais pra passar noites longas, frias e insônes longe um do outro, e pra evitar ser seqüestrada pras Ilhas Maurícius, acabei indo em paz para seus braços :-D

Mas o comichão da saudade apertava. Completei um ano sem ir pro Brasil, e a saudade doía cada vez mais. Esperei mais 6 meses, e em Outubro de 2009 o Home Office (um órgão equivalente a Polícia Federal da Inglaterra) pediu meu passaporte de volta, para completar o processo. Eu então me empolguei, me preparei minha mente e meu coração para passar o Natal com a minha família querida no Brasil, depois de praticamente dois anos longe. Mas adivinhem? Novela não é novela sem drama e tive que cancelar a viagem em cima da hora, porque o Home Office não liberou o passaporte (e a residência) a tempo. Tive um Natal maravilhoso com a família de Mr. J, e um ano novo feliz rindo com meus amigos em um clube de comédia, o que prova que sempre algo bom mesmo quando tudo parece estar indo errado…

Umas duas semanas depois do ano novo meu passporte chegou, finalmente, mas não sem antes passar pelo último drama. Por causa da nevasca do pior inverno dos últimos tempos, o correio não entregou os passaportes no dia, fui buscar na central de entregas e tinham trancado os passaportes em outro prédio ~x( Tive que esperar dois dias até o correio entregar os passaportes de novo.

E pra minha felicidade, os passaportes chegaram lindos e inteiros, e dentro deles um novo carimbo contendo a permissão de que eu poderia viver nesse país permanentemente. Mas… Esse carimbo (que na verdade é um adesivo) teria que ser renovado em 10 anos. Então decidi acabar com a novelinha Imigração de uma vez por todas e comecei a nova empreitada.

Estudei pra prova por 4 meses (uns dias mais pesados que outros, cheguei até a levar o material pro Brasil quando finalmente consegui ir em Abril \:D/ mas nem encostei nas apostilas) , prestei e passei dia 22 de Maio. Dia 12 de Junho fui no serviço que verifica toda a documentação para pedir a cidadania Britânica, e mandei o formulário junto com a cópia de evidências e mais evidências de que estava morando há 8 anos aqui legalmente.

Esperava que o processo demoraria, no mínimo, os 6 meses que é o máximo previsto para cidadania. Mas para minha surpresa depois de 5 semanas, recebi a carta explicando que tinha sido aprovada e que assim que jurasse fidelidade à Rainha, poderia ser considerada uma cidadã da Grã-Bretanha. <:-P

Então dia 23 de Agosto, estarei lá jurando fidelidade à Rainha, e prometendo seguir todas às suas leis.

Isso será muito mais do que conseguir um passaporte para ficar no país que escolhi como meu lar. Será uma vitória por cima de tudo que eu passei, os momentos de escuridão, sem saber como minha vida ia ficar, pra onde iria e como iria. É uma vitória conseguir tomar as rédeas do meu futuro, não depender de ninguém me falando quando, onde e como posso ficar no lugar que EU escolhi ficar, pelos motivos que EU assim escolhi também.

Tem gente que é Britânica e não entende como é que eu consegui deixar a minha família e meus amigos pra trás. E eu explico que com a internet hoje em dia eu falo muito mais com eles do que quando estava no Brasil. Que e-mails, MSN, Skype, webcam são ferramentas sem as quais eu não sei se conseguiria viver sem.

A convivência com a minha família e meus amigos, aquela coisa de dar risada juntos, chorar juntos, brigar, fazer barraco, fazer as pazes, brincar com meus sobrinhos, abraçar (sou uma viciada em abraços), beijar (adoro beijos também) sentir a pele e o cheiro dos meus queridos é a única coisa que me corta o coração em minhas decisões.

Mas quando todo mundo tá espalhado pelo país e pelo mundo, quando todo mundo está ocupado com suas próprias vidas e felizes e orgulhosos em te ver realizada por estar vivendo em lugar que você chama de casa, contente nos braços de um parceiro amigo, honesto, fiel, que faz de tudo pra te fazer uma pessoa feliz, percebi que a presença física no país não importava mais.

Quando minha prima disse que fala mais comigo e me vê mais vezes do que ao meu irmão, que mora lá em São Paulo, quando minha mãe costumava dizer que falava mais comigo do que com a minha irmã que morava no prédio da frente, quando meus amigos trocam e-mails ou falam(digitam) comigo no MSN ou Skype praticamente todos os dias (ou pelo menos todas as semanas), percebo que a presença física no país não importa mais. Quando minhas tias me mandam mensagens lindas dizendo o quanto me querem bem, percebo que a presença física no país não importa mais. Quando minha irmã e eu nos aproximamos como nunca antes, por email e pelo telefone, percebo que a presença física no país não importa mais. Quando brinco com minha sobrinha-afilhada e meu sobrinho querido pela webcam, percebo que a presença física no país não importa mais.

Que tudo que preciso é renovar os abraços, os cheiros, o toque de pele com pele sempre que puder pegar o avião e viajar 11 horas para vê-los ao vivo…

Aqui, por enquanto, me sinto em casa. Não nego que no futuro as coisas possam mudar. E talvez meus sentimentos mudem e eu queira me mudar, ou voltar pra Passargada ou pra outros ares. Mas enquanto tá bom eu vou ficando, como já dizia há 8 anos atrás….

Me tornar Britânica é eu me tornar livre para ir e vir, fechar esse capítulo de ter que dar satisfação ou depender de quem quer que seja (Governo ou pessoas) de me deixar viver como EU escolhi viver.

E pra isso, como qualquer liberdade, não tem preço.

Nunca deixarei de ser Brasileira, em muitos aspectos, mas isso fica pra outro dia que esse aqui já ficou maior do que deveria! :-D


Próximo post: Os dois casamentos que fui nesse final de semana (e a despedida de solteira duas semanas atrás) e mais notícias sobre o novo cafofo.

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